15 março 2019

[Resenha] | Quando Ela Desaparecer | Victor Bonini | Faro Editorial




A obra “Quando Ela Desaparecer” aborda a história da jovem Francisca Silveira do Carmo ou Kika, como é conhecida. Ela tem 16 anos e desaparece durante uma excursão escolar. O mais incrível de toda situação é que Kika, dois anos atrás, foi espancada brutalmente e só sobreviveu por um milagre divino.

Kika é uma jovem muito bonita e desperta inveja nas colegas da escola, pois chama atenção dos meninos e meninas. Desde que a moça ganhou o concurso Miss Guarulhos Juvenil todas as suas relações pioraram consideravelmente e agora com o seu desaparecimento misterioso só foi possível encontrar rastros de sangue e um colar que estava no seu pescoço.

“Aquele Miss Guarulhos Juvenil é um castigo na vida dela. Na sala, é um absurdo o que ela tem que enfrentar. E ela aguenta tudo quieta. Meu medo é isso explodir."

A narrativa é apresentada como um livro reportagem e é tão bem escrito que ficção e realidade se misturam com maestria. Eu cheguei a procurar se o caso era verdadeiro, e apesar das cidades citadas e parques serem reais, a história é ficção. Na obra, a história é contada por Sarah, que viveu no contexto da época, sendo colega de sala da jovem Kika e anos depois se tornou jornalista.

A história é separada por cores, sendo: páginas normais, cinzas e pretas. Essa separação é bem importante para entendermos o tempo e acontecimentos da obra. Uma grande sacada!

Primeiramente, queria parabenizar o escritor Victor Bonini, pela escrita maravilhosa, e confesso que ele foi o primeiro autor, entre nacionais e estrangeiros, que me deixou boquiaberta com o final, pois geralmente todas as minhas teorias são as corretas. Simplesmente inacreditável!

A diagramação da Faro Editorial está impecável e nas páginas do livro podemos encontrar mapa do Parque CECAP, Trechos de notícias dos jornais locais, fotos diversas, bilhetes, posts de redes sociais, laudo do Instituto Médico Legal e anexos do inquérito policial dando veracidade ao formato de reportagem.

Diante tantos suspeitos, mistérios, mortes, segredos e mentiras, a chegada do detetive Conrado Bardelli, se torna uma peça fundamental para o fechamento do caso. Inúmeros questionamentos são feitos e quando deduzia ter achado o fio da situação todas minhas teorias caiam por terra, como uma simples nuvem de poeira. Eis o motivo de o livro ter esgotado em sua primeira edição, logo após o lançamento.

Por fim, o escritor Victor Bonini me conquistou e a obra é digna de se tornar série de TV tamanha perfeição. E o final? Meu Deus! Ainda estou no processo de digerir! E a frase “Qual a arma mais letal do mundo? Os segredos das pessoas”, nunca fez tanto sentido como agora!




07 março 2019

[Resenha] | A Casa Soturna | Charles Dickens | Editora Nova Fronteira




A obra “A Casa Soturna” é considerada o romance mais perfeito de Charles Dickens e nos apresenta questões jurídicas inglesas, vida e sociedade do século XIX, na Inglaterra. A lentidão do sistema jurídico começa com o caso Jarndyce e Jarndyce que causa uma grande reviravolta, com inúmeros recursos, brigas e disputas, gerando “ódios lendários”.

“Jarndyce e Jarndyce bezoa. Essa questão de má morte tornou-se, com o correr do tempo, tão complicada que nenhuma criatura viva sabe o que ela significa. As partes compreendem-na ainda menos. E tem sido observado que basta que dois advogados comecem a conversar a respeito dela para logo, cinco minutos depois, chegarem a um desentendimento total a respeito de todas as premissas”.

Dickens nos deixa claro que os herdeiros e as próximas gerações são partes no caso, e mesmo que não saibam os reais motivos, brigam loucamente. O caso se tornou épico pela disputa da propriedade, rivalidade, orgulho ferido e um grande embate na guerra de egos.

A jovem Ester Summerson é uma das protagonistas, órfã e após atingir a maioridade se torna administradora da Casa Soturna. Ela estabelece uma relação maternal com Ada e segredos eram confidenciados. Um dos pontos altos da obra é a narrativa de Ester sobre sua doença e a preocupação que ela tem para com os outros, simplesmente deixando-a em segundo plano.

“Se o segredo que eu tinha de conservar fosse o meu, teria sido meu dever confiá-lo a Ada logo depois que nos encontramos. Mas ele não me pertencia e percebi que não tinha direito de contá-lo, nem ao meu tutor, a não ser que surgisse alguma grande emergência”.

A escrita de Charles Dickens é fenomenal, pois a obra apesar de grande não é empecilho para devorar cada página. Ele transformou um texto com uma alta carga dramática em uma incrível sátira em relação à sociedade inglesa, a lentidão da justiça e das diferenças sociais. O final é bem revelador e é incrível como nossa protagonista tem um nível de controle emocional e bondade de dar inveja para qualquer ser humano.

Fiquei pensando se Dickens estivesse vivo e escrevesse sobre a nossa sociedade, o que ele iria dizer? Eu creio que seria uma grande decepção ver o tamanho dos desníveis sociais, a impunidade dominando nosso país e a morosidade do nosso sistema judiciário. Já leram Charles Dickens? 



03 março 2019

[Resenha] | A DÍVIDA: Heitor (Série Turbulência Livro 1) | Lani Queiroz




A obra “A dívida” aborda a história de Heitor Camargo Maxwell, que é CEO do conglomerado brasileiro de linhas aéreas, HTL Ocean Airlines. Após um antigo parceiro de negócios lhe dá um desfalque de milhões, Heitor vê a oportunidade perfeita de se vingar e cobrar a dívida de uma forma nada convencional. Ele decide casar com a filha mais nova do homem desonesto para que a mesma gere o seu futuro herdeiro.

Heitor exige que Sofia mude para sua casa assim que completar dezoito anos e que deixe todos os seus sonhos. Ela será a sua esposa e terá que acatar todas as vontades do marido, porém a jovem não aceita as imposições e se faz ser ouvida. Apesar de ter prometido que durante o convívio com o marido seria como um iceberg, ela se derrete apenas com o olhar de Heitor e fazem sexo loucamente.

“Meu Deus. Eu pingo, latejo com seu tom, sua expressão presunçosa. Seu cheiro me embriagando, me deixando entorpecida. Coloco as mãos em seu peito, querendo que recue e ao mesmo tempo suplicando silenciosamente para que faça comigo o que tiver vontade. É humilhante me sentir tão impactada por esse homem”.

Lani cria de forma brilhante uma relação entre Sofia e Heitor que atinge o céu e o inferno numa velocidade alucinante. Uma relação de amor e ódio que para alguns pode ser vista como um relacionamento totalmente abusivo, mas creio que desde que a personagem se sinta confortável e com a libido a ponto de se tornar o próprio vulcão humano, seja prazeroso para ambos.

Os personagens secundários são ótimos e cada um representa dentro da história o seu papel com maestria. As vilãs Vera, Marcela e Soraia são umas pestes e qualquer corretivo que tenham da vida, ainda é pequeno perante o que representam. Os irmãos de Heitor são fogo na roupa e apesar das diferenças de comportamento se assemelham em muitos aspectos, principalmente no quesito safadeza. Já a vovó Magnólia é uma verdadeira dama, inteligente, articulada e que dá vontade de deitar no colo e ver o dia passar sem a loucura de olhar para as horas, simplesmente encantadora.

As reviravoltas na história ocorrem de uma forma tão inesperada que dá ainda mais vivacidade e realidade para a obra. Só quem ler conseguirá compreender o turbilhão de sentimentos que a narrativa contém.

Indico para todos os amantes de obras polêmicas, com cenas fortes, sexo selvagem e linguagem nua e crua. A leitura é densa, algumas vezes impactantes e com gostinho de quero mais!







28 fevereiro 2019

[Resenha por Renato Almeida] | The 100: Os Escolhidos| Kass Morgan | Galera Record




A Terra já não é mais um lugar habitável. Após uma guerra nuclear que se sucedeu, todo o seu território foi comprometido pela contaminação da radiação. A humanidade se viu ameaçada e a solução encontrada para manter a raça humana, foi a povoação no espaço - para os poucos que conseguiram escapar.

Três naves espaciais foram criadas e formaram a colônia, que abriga os seres humanos há três séculos. Os recursos já não são como antes e apresentam baixas. A população é regida por um chanceler e por regras extremamente rígidas, que levam como punição a morte.
Clark, uma das protagonistas, é uma jovem promissora que está confinada, assim como todos outros 99 jovens que infringiram as leis da colônia. Como ela ainda não completou seus 18 anos, Clark aguarda pela sua maioridade para assim ter um novo julgamento.

Sem o anúncio ou o consentimento da população, o conselho age secretamente e decide enviar os 100 jovens confinados para uma expedição ao planeta Terra, para constatarem se é possível retornar sem os riscos de contaminar toda a comunidade. Visam sacrificar os jovens para um bem maior.

Wells, filho do chanceler, também é um dos 100 jovens confinados com o destino traçado. A viagem não será fácil e o desenrolar, inevitavelmente será fatal. Esse livro me conquistou por completo! A história é maravilhosa e viciante. Prende a atenção do leitor até a última página. A autora construiu uma trama instigante.

Como eu amei os personagens! Em especial a Glass. Eles são bem desenvolvidos e completamente diferentes. Eu indico a obra com louvor, assim como todos os demais volumes.