23 maio 2026

[RESENHA] Onde eu nasci passa um rio | @luiznevescastro | Assessoria: @lcagcomunicacao | Páginas: 134 | Ano: 2024 | Nota: ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️


 

 Em “Onde eu nasci passa um rio”, acompanhamos a jornada de Edinho, um jovem que cresceu com o vazio de não conhecer sua mãe. Movido por esse buraco que nunca se preencheu, ele parte em uma busca quase instintiva, navegando pelas margens do rio São Francisco, onde cada cidade parece esconder um pedaço de si mesmo. O livro é inspirado na clássica narrativa “Édipo Rei” de Sófocles. Conhecem?

“Todos os dias, eu me preparava e aguardava a chegada dos navios. Dos vapores que aportavam, sempre esperava que num deles minha mãe chegasse, mas todos em Riopara sabiam que a espera seria em vão.”

 A história é marcada por encontros e desencontros, e ganha intensidade quando Edinho conhece Maria, uma dona de bordel que, com sua sensualidade e força, parece atraí-lo para algo maior do que ele pode compreender. A relação entre os dois carrega tensão, desejo e uma estranha familiaridade, levantando questões profundas sobre destino, identidade e o quanto somos moldados pelas ausências que nos habitam. A natureza humana pode ser assustadora em alguns momentos…

 Misturando elementos da tragédia grega com a rica cultura nordestina, o autor nos entrega uma trama cheia de lirismo e simbolismo. Há momentos em que a realidade se dobra, dando espaço ao mágico, ao misterioso, como se o rio carregasse, além de água, os segredos do tempo e das dores humanas.

 Essa leitura me tocou de maneira intensa. Edinho é um personagem que carrega o mundo nas costas, e ao mesmo tempo, carrega o nada: a ausência de amor, de origem, de respostas. A escrita é sensível, às vezes poética, às vezes crua, como a própria vida. Fiquei impressionada com a forma como o autor costura temas tão universais dentro de um cenário tão brasileiro. Terminei o livro com a sensação de que algumas perguntas não têm resposta, e que tudo bem, porque às vezes o mais importante é o caminho que a gente percorre para encontrá-las.

 Nas páginas finais é como um grito contido ecoando nas curvas de um rio sem fim. Profundo, né?

 Lemos a obra na Leitura Coletiva organizada pela LC Agência. Leiam!