28 maio 2026

[RESENHA] Espíritos vadios: antros de raposas (livro 1) | @andrenakamura.escritor | Leitura Coletiva: @lcagcomunicacao | Páginas: 278 | Ano: 2025 | Nota: ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️



Sabe aquela história que insere o leitor dentro do enredo e consegue prendê-lo com uma sabedoria espetacular? A linguagem rebuscada, o cenário do coronelismo, a disputa pelo poder e a luta sangrenta fazem com que a obra “Espíritos Vadios” seja intensa, trazendo elementos bem construídos e uma ampla visão dos temas abordados.

A morte de dois dos coronéis mais temidos da Paraíba não traz paz; pelo contrário, serve de estopim para uma guerra de egos e poder totalmente sem escrúpulos.

Confesso que me assustei inicialmente com a quantidade de personagens do livro. Sabe quantos? Cem! Você não leu errado. Porém, achei essa sacada do Nakamura genial: todos os personagens são importantes para o enredo e se encaixam perfeitamente no jogo de classes e poder. Quase todos os nomes são bem peculiares, como: Charlêmis, Deumaréia, Jômerson, Relcósmio e Tifênis.

Um dos pontos altos da história é a quebra do padrão masculino de poder e a mudança do protagonismo para o feminino, um acerto inenarrável. Em vez dos velhos homens de terno branco e chapéu de couro, quem assume a linha de frente da disputa pelo império deixado são duas mulheres: Marcília e Valquíria. A escolha de colocar a viúva e a ex-mulher dos falecidos coronéis duelando contra Dom Luciano (irmão de um dos falecidos) moderniza a trama, derrubando o patriarcado rural.

André L. Nakamura criou personagens moralmente questionáveis. A lista vai de hackers brilhantes a religiosos oportunistas e advogados ardilosos, formando uma teia de corrupção escancarada e repleta de camadas.

O mistério do “jogador oculto” (a figura misteriosa que manipula o caos nos bastidores) é o tempero que transforma a leitura em um vício. Não temos vilões ou mocinhos, pois todos jogam sujo e são repletos de ambições.

Com críticas sociais, humor ácido e um sarcasmo raiz que abrilhanta a narrativa, o autor mostra como o poder molda e deforma o caráter humano. Uma leitura que incomoda, instiga e prende do começo ao fim.