Boa tarde, povo amado! Hoje a minha resenha é de um livro pequeno em número de páginas, mas potente por toda a construção da história.
A personagem não possui nome na narrativa, representando as muitas mulheres invisíveis na sociedade e dentro da própria família. Ela poderia ser uma amiga, um familiar, eu ou até mesmo você. Não é nada fácil carregar nas costas o peso da vida dos outros e anular a própria existência.
“Não há mais tempo para vaidades! O padrão de vida anterior se foi, não somos mais nada!”
A escritora Amélia Greier foi cirúrgica na construção da protagonista. Acompanhamos seus anseios, sonhos, desespero e a luta diária de uma forma dura, porém com uma poesia e um zelo admiráveis ao tratar de temas delicados. Greier está de parabéns pela grandeza de sua escrita.
A mulher sem nome cuida com carinho da casa, dos três filhos pequenos e do esposo engenheiro que está desempregado. Ao ver a precariedade financeira da família e o abalo emocional de todos, ela questiona sua essência, o peso de sua jornada e o seu amanhã. Teria ela um futuro além dos papéis de mãe, esposa e dona de casa? Renunciar-se como pessoa e mulher seria, de fato, uma prova de amor?
Para ajudar nas despesas, a “inominada” começa a trabalhar em atividades informais como doceira, passeadora de cães e operadora de caixa. Ela não se sente autossuficiente por não possuir títulos ou experiência curricular, já que o trabalho doméstico que desempenha é invisível para o mercado de trabalho. Esta é, infelizmente, a realidade de muitas mulheres pelo mundo!
Além de todos os dilemas internos, ela ainda sofre humilhações por parte da “família Alquezar”. Que povo sem escrúpulos!
“Sem lágrimas, enterrou a doceira, a professora, a mãe provedora e alguns outros futuros em um pretérito perfeito.”
A obra é a própria resistência das mulheres em busca de sobrevivência e identidade; um grito pelo fim da invisibilidade feminina. O enredo finaliza de forma única, deixando o coração repleto de amor e esperança.
Se eu pudesse deixar um recado para essa mulher, diria: você pode não ter títulos, doutorado ou um currículo sênior, mas você possui o que há de melhor no ser humano: o caráter!

