A obra “Sanduíche” é um convite para todas as mulheres que estão no centro da vida. Mulheres 50+ se identificarão com os dilemas da protagonista e serão levadas a repensar a própria jornada: até que ponto vale a pena se cobrar tanto?
Na história, conhecemos Rachel (Rocky), que está na casa dos 50 anos. Há duas décadas, ela passa os verões com a família em Cape Cod, mas, com o passar do tempo, percebe que não pode mais ignorar certas questões pessoais e familiares. Desta vez, Rocky viaja com o esposo, os filhos adultos e os pais idosos. É nesse cenário que acontece, gradualmente, uma ressignificação de sua vida e de sua percepção sobre o tempo.
Rocky vive um casamento morno e carrega a culpa por decisões passadas. Ela lida com a autocobrança para acompanhar a trajetória dos filhos, o peso de cuidar dos pais frágeis e, como se não bastasse, enfrenta a menopausa e a montanha-russa das alterações hormonais.
“Minha raiva é como uma caneta que estoura no bolso dele; quando menos se espera, suja mãos, boca.”
A escritora best-seller Catherine Newman criou uma narrativa acidamente dócil. Na mesma proporção em que os diálogos são bem-humorados, as reflexões são profundas, fazendo com que mulheres maduras se sintam reais em suas dores, conflitos, anseios e no sentimento de estarem perdidas diante da passagem do tempo.
“Há feridas que nunca cicatrizam, por mais que o tempo passe.”
As questões geracionais encurralam a protagonista: ela não sabe como acompanhar os filhos que já cresceram, nem como lidar com a finitude dos pais. Rachel sente-se como o próprio sanduíche, sendo o recheio pressionado entre duas fatias.
Quantas de nós já não nos sentimos assim no dia a dia? Atropeladas pelas funções de “superesposa”, “superfilha” e “superamiga”, exercendo uma maternidade que parece ignorar que os filhos cresceram.
Homens, leiam também. Esta obra é fundamental para entender que até a “Mulher-Maravilha” tem seus dias ruins. Super recomendado!

