03 fevereiro 2025

[RESENHA] Velar por ela | Jean-Baptiste Andrea | @editoravestigio | Tradução: Julia da Rosa Simões | Páginas: 416 | Ano: 2024 | Nota: ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️


A obra “Velar por ela” do escritor Jean-Baptiste Andrea é um bálsamo para os olhos do leitor, pois é emocionante, envolvente e com uma fluidez singular. Eu já havia realizado a leitura de outro livro dele e não tem como não ficar apaixonada. Dica? Pegue os lencinhos e mergulhe na narrativa!

Na história somos apresentados para Michelangelo (Mimo), de família pobre, que foi colocado como aprendiz de um escultor bruto e sem talento, na infância. Do outro lado, conhecemos Viola Orsini, que é herdeira de uma família prestigiosa. O destino de ambos se cruzam, pois eles são gêmeos cósmicos. Que narrativa profunda, amorosa e comovente. Também acompanhamos os anos turbulentos no qual a Itália é sucumbida ao f4sc1sm0.

As temáticas abordadas por Jean-Baptiste são profundas, como: f4sc1sm0, amizade, guerra, discrepância social, o exaltar da arte, um romance de formação, nanismo, vida e morte. O humor é refinado e ao mesmo tempo poético.

“— A vida é uma sucessão de escolhas que mudaríamos se nos fosse permitido recomeçar tudo de novo, Mimo. Se você conseguiu fazer as escolhas certas na primeira tentativa, sem nunca errar, então você é um deus.”

Acompanhar Mimo e Viola da infância à maturidade, foi extremamente prazeroso. Viola é uma protagonista forte e que representa muitas mulheres que precisam ter lugar de fala. Mimo é apaixonante, misterioso e que por vezes deixa o leitor com vontade de abraçá-lo.

Andrea ganhou o prêmio Goncourt 2023 e foi super merecido, pois a narrativa é única. Ele coloca poesia, questões políticas e reflexões profundas num patamar altíssimo!

As páginas finais são emocionantes, vemos a fragilidade humana, a reconstrução da identidade e uma carga emocional realista. É encantador acompanhar revelações e compreender o real significado do “Velar por ela”. Viajamos por momentos sombrios da condição humana e entendemos como a resiliência pode nos manter vivos. Super indico!

31 janeiro 2025

[RESENHA] Quando as mulheres eram dragoas | Kelly Barnhill | @editoragutenberg | Tradução: Lavínia Fávero | Páginas: 336 | Ano: 2024 | Nota: ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️


A obra “Quando as mulheres eram dragoas” foi uma das minhas melhores leituras de janeiro. Uma ficção com a narrativa realista que abala as estruturas dos leitores.

O encontro de fantasia com crítica social, temas densos abordados e o poder feminino formam uma história ímpar.

Em 1955, centenas de mulheres se transformam em dragoas e desencadeiam um evento histórico que muda a dinâmica social, econômica, política e cultural do mundo. Imaginaram a cena? O babado foi fortíssimo!

Na história conhecemos Alex. Ela é uma jovem que não só acompanha essa revolução, mas que também vive o impacto do evento. As questões como o controle dos corpos femininos, a opressão imposta pelo patriarcado e o zero poder de fala das mulheres, são questões reais pelo mundo.

“Todas alçaram voo. Nenhuma olhou para trás. E nada disso foi divulgado pelos noticiários. Era, mais uma vez, um assunto proibido. E o mundo continuou olhando para o chão.”

Metaforicamente falando, o ato das mulheres se transformarem em dragoas, é a luta pela liberdade, pelo poder de fala e a união entre elas. Um verdadeiro show de resiliência e empoderamento!

A escritora Kelly Barnhill é simplesmente maravilhosa, com uma escrita cheia de camadas, densa, mágica e que exala o feminismo na sua melhor essência. A fantasia e o real se entrelaçam como o encontro das almas gêmeas. Profundo, né?

O nosso último Clube do Livro de Brasília foi sobre a obra e adoramos a profundidade do nosso debate.

Por fim, o livro é potente, representativo, emocionante e que transmite poeticamente uma energia singular. Super indico!

28 janeiro 2025

[RESENHA] O que existe | @saratorresrdzdecastro | @autentica.contemporanea |Tradução: Silvia Massimini Felix | Páginas: 224 | Ano: 2025 | Nota: ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️


A obra “O que existe” é um romance profundo e repleto de camadas, pois acariciar as nossas cicatrizes não é uma tarefa fácil.

A protagonista enfrenta há anos o duro diagnóstico de câncer de sua mãe. No momento da morte de sua mãe, ela está fazendo amor com uma mulher em um hotel. A moça não conseguiu se despedir de sua genitora e pouco tempo depois, sua amante desaparece bruscamente. O que resta para ela? Ser consolada pela sua parceira e chorar por sua mãe e ao mesmo tempo por outra mulher. Vocês cuidariam dela?

“Enquanto mamãe morria, eu estava fazendo amor. A imagem me assombra e me perturba. Minha mãe estava partindo e eu me agarrava a algo fora do controle.”

O livro mistura elementos de reflexão existencial com a construção de um enredo intimista e, por vezes, perturbador, pois não existe fórmula mágica para lidar com o luto e com o abandono.

Sara (protagonista) compartilha o nome e a vida com a autora. Como refazer a vida diante de uma grande perda? Devemos ressignificar a nossa jornada e amadurecer as relações.

Os personagens são construídos com uma complexidade psicológica intensa. Sara não é apenas um reflexo da busca por sentido, mas também um emaranhado de emoções conflitantes, dúvidas existenciais e tentativas de compreensão da própria subjetividade. Uma pessoa complicada na arte de se fazer entender.

A história de Sara Torres é poética, filosófica, repleta de desejo e de dor. Um turbilhão de emoção, pois eu diria que sua escrita é provocativa e ousada.

Qual é o lugar de Sara no mundo? A narrativa existencialista leva os leitores a grandes reflexões e dilemas.

Essa obra é recomendada para quem se interessa por literatura que não apenas conta uma história, mas que também provoca questionamentos profundos sobre a vida, a identidade e a busca incessante por respostas que talvez nunca venham. Um convite à reflexão sobre a própria essência do ser. O que de fato existe?

24 janeiro 2025

[INDICAÇÃO] ]Temporada de cura no ateliê Soyo | @itssominy | @editorarecord | Selo: @bertrandbrasil | Tradução: Laura Torelli | Páginas: 288 | Ano: 2024


Boa noite, lindezas! Hoje indico a obra “Temporada de cura no ateliê Soyo”, que é o primeiro romance da autora sul-coreana Yeon Somin publicado no Brasil e best-seller na Coreia do Sul, traz uma narrativa sensível e emocionante sobre amor, família, amizade, trabalho e saúde mental.

Sinopse:

Depois de sofrer um burnout e largar o emprego de forma repentina, Jeong-min se isola em casa, sem ver ou falar com ninguém por dias a fio. Após meses reclusa, ela decide se aventurar pelas ruas de Ilsan, nos arredores de Seul. É então que, por engano, ela entra em um aconchegante ateliê de cerâmica, acreditando ser uma cafeteria. O cheiro de argila, os raios de sol que entram pela janela cheia de plantas, o adorável gato Hoya e o incrível café que as pessoas tomam ali a fazem se sentir viva e inspirada pela primeira vez em muito tempo.

A alegria e a satisfação que Jeong-min encontra na cerâmica aquecem seu coração à medida que as peças ganham forma no calor intenso do forno. Cada pessoa no ateliê Soyo tem uma história singular para contar, e, ao longo das estações, as feridas de Jeong-min começam a cicatrizar. Peça após peça, enquanto o fim do ano se aproxima e a neve se acumula no parapeito da janela do ateliê, a jovem percebe o quanto mudou ― com as mãos ocupadas e a mente tranquila, ela finalmente se vê pronta para encarar as memórias das quais vem fugindo e abrir seu coração.

Comovente e encantador, Temporada de cura no ateliê Soyo é um convite a desacelerar em um mundo que nunca para, celebrando a arte da cerâmica e o poder transformador da amizade, do amor e da empatia. A cada página, Yeon Somin demonstra sua potência narrativa, tecendo uma história cativante e acolhedora, que traz reflexões profundas sobre a vida e palavras que confortam como um abraço.

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A obra toca o coração e convida à reflexão sobre o processo de cura e reinvenção, tanto pessoal quanto coletiva. É uma leitura recomendada para quem busca uma narrativa que explore temas profundos de maneira delicada e com grande carga emocional.