16 maio 2019

[Resenha] | Mistérios da bússola azul | Cláudia Pucci Abrahão | Presságio Editora

                                                RESENHA POR THAIS DORIA


Marina vive com as marcas e as lembranças do 'acidente' de 10 anos atrás, quando era uma sonhadora jornalista que lutava pelas comunidades ribeirinhas do Vale da Retina contra a criação de Usinas Hidrelétricas de Viramundo. Durante todo esse tempo ela tentou se afastar das pessoas da comunidade e não se lembrar do que viveu, mas após ouvir uma certa canção, um turbilhão de sentimentos e sensações a envolve, e a moça sente que precisa voltar ao vale das Pinhas. Voltar para o lugar que ela tanto lutou para salvar, o lugar onde amou e perdeu muito.

"Tem Coisa que é tão delicada que tem que ser preservada para não evaporar.”
Eu demorei muito para entender essa história, até os 10% iniciais a sensação que eu tive era de estar totalmente perdida. Também não consegui visualizar mentalmente a parte sobrenatural do livro, mesmo relendo várias vezes as passagens. O livro é poético e cheio de metáforas, principalmente quando descreve as partes mágicas.

"Não tente controlar ou entender tudo, o importante é buscar micro objetivos possíveis para o aqui e agora.”

Um ponto positivo da obra é o fato de abordar o problema da construção de usinas e como isso afeta a população. Na história vemos que as pessoas que vão contra a essa construção, são expulsas de sua terra, sofrem 'acidentes' ou 'somem'. Eu nunca havia lido uma obra que abordasse esse tema, e durante a leitura lembrei muito do caso de Brumadinho-MG, onde muitos homens e animais morreram. Toda área foi destruída ao ponto de ficar irreconhecível, tudo pela irresponsabilidade e ambição humana, sem pensar nas consequências para a população.

No livro entendemos bem isso, a vida de um ribeirinho e sua terra pouco importa para as empresas, o importante mesmo para eles é o poder e o dinheiro. Muito triste, mas o que a autora nos mostrou é a pura realidade.

A história em si é incrível, mas acho que a autora pecou no desenvolvimento, em certos momentos a leitura não fluiu e ficou monótona. Espero que nos próximos livros a narrativa seja mais objetiva. Indico ao leitor que tenha paciência e leia com calma prestando bastante atenção. Se aventurem nessa história e depois me falem suas considerações, vou adorar conversar com vocês sobre esse livro.



[Resenha] | Um Casamento Conveniente | Tessa Dare | Editora Gutenberg

                                                  RESENHA POR THAIS DORIA


O Duque Ashbury carrega horríveis marcas da guerra em sua pele. Seu rosto desfigurado assusta a todos que o veem. Após ser rejeitado por sua noiva, ele percebe que nenhuma mulher se apaixonaria pela monstruosidade que ele acha que se tornou. Com isso ele resolve escrever uma carta para o seu advogado com a ordem de que lhe arrume uma mulher que esteja disposta a casar com ele, já que ele deseja ter um herdeiro para o seu ducado. Antes mesmo que termine de escrever a carta, como uma ironia do destino, Emma Gladstone, entra em seu escritório cobrando a dívida do vestido de noiva da ex. Ash entende isso como uma oportunidade e faz a Emma uma proposta: Ela deverá se casar e deitar com ele todas as noites para engravidar e lhe dar um herdeiro, feito isso poderá ter sua própria casa e viver para sempre bem sem se preocupar com a parte financeira e principalmente não o verá mais. . .

"Você tem duas opções, Srta Gladstone. Posso lhe pagar duas libras e três xelins... ou posso fazer de você uma duquesa."

Essa leitura foi incrível, pois me tirou de um baita desânimo literário. O livro é divertido e empolgante do começo ao fim.  A história me fez lembrar A Bela e a Fera, que é o meu conto de fadas favorito.

Ash sofre com várias cicatrizes e queimaduras pelo corpo, ele se sente como um monstro e as atitudes dos outros quando o veem só reforçam nele esse sentimento. Emma vai ser essencial para ajudá-lo a superar a sua falta de autoestima. É lindo como durante o livro ele começa a perceber que pode ser amado.

 "Você só está deixando as pessoas verem um lado seu. Se pelo menos desse uma chance para que enxergassem além das cicatrizes…”.

Emma e Ash são um daqueles casais clichês que arrebatam o coração do leitor. Foi impossível não gostar e torcer por eles desde o início. Eu amei cada personagem, até mesmo os secundários, mas tenho que destacar as amigas de Emma. Elas são muito divertidas e fogem muito das personagens típicas de romance de época.

Estou ansiosa para os próximos livros e poder ler as histórias de cada uma delas. Tessa Dare é uma autora espetacular e indico para todos essa nova série. Tenho certeza que vão se apaixonar da mesma forma que eu me apaixonei pela obra.



08 maio 2019

[Resenha] | Primeiro e Único | Emily Giffin | Novo Conceito




Ao mesmo tempo em que amo escrever sobre bons livros, odeio a forma como tento resenhá-los, pois acho que nunca passam a profundidade do que senti... Neste romance da Emily Giffin o amor vem com tudo, chega em um momento difícil na vida de todos que estão ao redor de Shea e mesmo assim, o meu coração bateu forte por isso.

A autora em meio ao caos da vida da protagonista trouxe o amor verdadeiro de um jeitinho tão belo, mas tão belo que é fácil virar a página e aceitar quase tudo sem ficar brava (o).

Quando a protagonista, a mulher mais apaixonada por futebol americano e os Walkers me foram apresentados na leitura, senti logo de cara que iria gostar dela. Depois da etapa de me familiarizar fiquei brava e irei explicar o motivo.

A melhor amiga de Shea, Lucy, perdeu a mãe a pouco tempo, todos estão sofrendo com a dor, só que o destino de Shea lhe prega uma peça e faz seu coração bater por quem não deveria. O time Walker é o incrível time de futebol americano de sucesso entre a galera universitária e o treinador é o senhor Carr, ou melhor, Clive. Clive é o pai de Lucy, mesmo sendo quase que um astro, e realmente um ídolo de boa parte do povo. Mas sua doce filha não herdou o amor pelo jogo. Esse gostar e não gostar criou um abismo entre os dois que sempre deu a Shea mais amizade com o pai da amiga.

Shea foi acolhida pela família de Connie (senhora Carr), Clive foi o pai presente que não teve e jamais poderia reclamar de tudo o que fizeram para ela e sua mãe, mesmo sabendo de todo o amor que sente e sempre sentirá por eles não poderia deixar de notar que uma parte dela, em seus 33 anos estava sendo abalado por um amor difícil.

Ryan é o quarterback cobiçado dos Cowboys e esse lindo jogador apaixonado vai tentar conquistar o coração de sua colega de longa data. Parece que estudo estava prestes a se desmoronar, mas cada experiência serve para agregar algo mais na vida de todos e assim a Shea vai aprender sobre amar, sobre o amor verdadeiro, sobre amizade e principalmente sobre se amar e ser feliz.

Devorei esse livro como se fosse o último da face da Terra. Giffin conseguiu falar sobre o amor, julgamento, paternidade, agressão contra a mulher, independência feminina e muitas outras coisas. Tudo bem desenvolvido do começo ao fim que é para alertar cada leitor e tocar no coração qualquer um.

Uma leitura obrigatória para qualquer leitor de romance.




06 maio 2019

[Resenha] | A Lista do ódio | Jennifer Brown | Editora Gutenberg


O livro “A Lista Negra” foi relançado com o nome “A Lista do ódio” e a edição contém o spin-off Diga Alguma Coisa. Brown nos conta a história de Valerie Leftman e do namorado Nick Levil que abriu fogo contra vários alunos na cantina da escola em que estudavam. Valerie ao tentar deter o namorado é atingida, mas antes acaba salvando a vida de uma das colegas que estavam na lista e que a maltratava.

Logo após o massacre na escola, Valerie acaba sendo responsabilizada devido à lista que ela ajudou a criar. Lista essa das pessoas e das coisas que Val e Nick odiavam.

Val passou o verão reclusa, em recuperação do ferimento e do grande trauma causado pela tragédia, e ela é forçada a enfrentar todos os problemas e voltar para a escola para concluir o Ensino Médio. Como será que os funcionários e colegas reagiram com a sua volta? Confesso que eu não teria a força de Val para voltar e sofrer julgamentos. As feridas estão expostas e a dor ainda é muito latente.

Jennifer Brown trás um tema denso, porém necessário ser abordado que é o bullying e que tem gerado inúmeros conflitos na nossa sociedade e no mundo como um todo.

Alguns dias antes que eu iniciasse a leitura houve o massacre em Suzano e ao iniciar a leitura recordações de outras tragédias vieram à tona, como: Realengo, Columbine, Goiânia, Sandy Hook e outros. O bullying pode ser destruidor e é de suma importância o diálogo familiar, o respeito entre as pessoas e o amor próprio para que massacres possam ser evitados.

“- Muitas pessoas morreram, Valerie. Seu namorado, Nick, as matou. Você tem alguma ideia do porquê? -, perguntou. Pensei naquilo. Em tudo o que eu recordara do que tinha acontecido na escola, nunca me ocorreu perguntar a mim mesma o porquê. A resposta parecia óbvia. Nick odiava aquelas pessoas. E elas também o odiavam. Era por isso. Ódio. Socos no peito. Apelidos. Risadas. Comentários depreciativos. Ser empurrado de encontro aos armários quando algum idiota metido passava. Eles o odiavam e ele os odiava e de algum modo acabou daquele jeito, com todo mundo morto.”
A obra é super indicada não apenas para crianças e adolescentes, assim, como para todas as famílias, escolas, educadores e políticos. O bullying fere, destrói e pode matar. “A Lista do ódio” é comovente, realista, forte, reflexiva e que quebra paradigmas, pois nos ensina sobre comportamento humano, julgamentos, superação e perdão.