27 fevereiro 2023

[RESENHA] Escritos poetizados | @sophiabicudo | @primeiro__capitulo | @atlanticogrupoeditorial | Páginas: 90 | Ano: 2022



A obra “Escritos poetizados” nos apresenta um mergulho intenso por poesias que percorrem três temporalidades da transformação menina-mulher.

Sophia Bicudo é apaixonada pela arte do escrever, nasceu na cidade de São Paulo, porém foi criada por seus pais, junto de sua irmã, majoritariamente no interior do estado de São Paulo. Tendo estudado, ao longo de sua juventude, em sete escolas, conheceu distintas realidades que lhe imprimiram memórias e reflexões indeléveis, contribuindo profundamente na sua produção artística. Atualmente cursa psicologia na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto, na Universidade de São Paulo, e tem seu poema “Confinamento final” publicado pela editora persona na “Coletânea de poemas feministas Bertha Lutz”.

O livro foi ilustrado por VicBicudo e as ilustrações ficaram bem harmônicas com as poesias. Um trabalho ímpar!

Bicudo escreve de forma fluida, emocionante, primorosa, com um português muito bem empregado e que acalenta o coração.

“Regada pelas águas de teu bem-querer, imersa perduro em respeitoso enlace. E banhada em permanente imo-Sol, floresço. Assim, viva em perenal luz tua cuido que apenas se pões para (re)nascer outra, Lua.”

Sophia abre a obra com uma carta por nome “Cara Vita” e propõe ouvi-la ao som de “As quatro estações”, de Vivaldi. As considerações abordadas nessa carta estão bem convidativas.

“Par da música, valsa ao compasso do meditar. Audíveis passos dando ao musicado cogitar que, ressuscitando, pare Bailando concebe a Felicidade para Música nomeá-la.”

Por fim, indico a leitura para todos os leitores que desejam a leveza de textos reflexivos com uma jornada pelo próprio íntimo através das poesias.



25 fevereiro 2023

[RESENHA] Preto ozado | @_lucasdematos | @editoracirandacultural | @livrosprincipis | Páginas: 96 | Ano: 2022 | Nota: ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️


Que obra incrível! É tocante como Lucas de Matos nos emociona através de suas palavras doces e ao mesmo tempo densas. A carga emocional é gigante e bastante reflexiva.

O escritor Lucas consegue nos levar por uma viagem ancestral, dura, rica, repleta de simbologia e com uma jornada de fé/esperança singular.

As ilustrações e projeto gráfico são de Silvana Menezes e estão simplesmente um bálsamo para os olhos.

O prefácio ímpar foi escrito por Dejanira Rainha Santos Melo, poeta e educadora. Ela conseguiu abrilhantar ainda mais a obra. Que mulher maravilhosa!

“Sua história é feita de lonjuras de tempos longínquos, imemoriais. Da terra pisada pelos ancestrais no cimento, no calcário, nos canaviais. Seus pés desimpedidos, desamarrados, percorrem os caminhos de uma liberdade inacabada. E ainda há tanto a caminhar há tanta estrada…”

O livro aborda temas difíceis, porém necessários para a construção de uma sociedade justa e igualitária, como: racismo, intolerância religiosa, preconceito e racismo estrutural.

De Matos com sua linguagem lírica, poética e intensa nos mostra o poder da ancestralidade, cultural e humanitário do povo preto. Não é nada fácil ficar provando a todo momento qualidades, capacitação e o olhar de igual para igual, porém tenho fé que ainda viveremos numa sociedade livre de preconceitos. Cabe a todos nós a mudança!

“Sou contra o contrabando mesmo vivendo num país que quer taxá-las. E aí insisto que elas garantem cidadania, integridade, conhecimento, fantasia, sentido; Ô seu polícia, não se assuste. Dessa arma não sai tiro. Sou antiviolência porque eu me armo de livros!”

Eu fiquei totalmente orgulhosa por tudo que Lucas construiu em sua narrativa e enquanto mulher branca fiquei honrada em poder sentir cada poesia entranhando em meu corpo.

Eu super indico a obra para todas as pessoas, pois ela é representativa, com acidez necessária e extremamente importante vivenciar a negritude. A liberdade é única e a pessoa deve usar o que quiser.

A capa é muito libertadora e representativa, pois mesclou a imagem icônica “Homem Vitruviano” de Leonardo da Vinci com um homem preto, ecoando a esperança!⁣

Seja com um black power, tranças, dreads, cabeça raspada, cabelos coloridos, roupas rasgadas ou tatuagens, você pode ser o que quiser e a sua cor não define seu caráter. #Diganãoaopreconceito



22 fevereiro 2023

[RESENHA] Toma que o filho é meu | @carlappiassa | Editora Teologar | Páginas: 120 | Ano: 2020



A obra “Toma que o filho é meu” da escritora Carla Pereira Piassa conta a história de Rafael e Juliana. Eles buscam acertar na educação de seus filhos, porém nem tudo são flores. Educar filhos é uma busca constante de aprendizagem, com amores e dissabores. Acompanhe a busca do ponto de equilíbrio do casal e a qualidade da relação ao lado dos filhos.

O prefácio muito bem desenvolvido foi escrito pela jornalista, escritora e mãe de 3, Fabiana Bertotti. Ela nos leva a refletir sobre o maternar, a arte de educar os filhos e a real compreensão de que uma criança é apenas uma criança.

O livro foi dividido em cinco capítulos bem interessantes e distintos: Alguém segura esse bebê!; Como assim, escola sai de férias?; Ser presente é o melhor presente; Não acredito, tenho que te ensinar tudo? e, o último capítulo, Não tinha mais tempo, até que o tempo foi a única coisa que restou.

“Tudo parecia estar entrando nos eixos, o tempo passou e a hora de voltar ao trabalho começou se aproximar e eu me sentia dividida, hora pensava em largar tudo e cuidar da Alice assim como cuidei do João Pedro, hora tinha a certeza que deveria voltar para a empresa, afinal foram anos esperando chegar aonde cheguei, hora queria procurar um emprego de meio período.”

Criar e educar filhos não acontece como um passe de mágica e também não encontramos receitas prontas. A tarefa é árdua, porém muito recompensadora, por exemplo, quando vemos de forma espontânea uma criança falar: “ — Eu te amo, mamãe!”. O coração salta de alegria!

A correria do mundo moderno, leva muitos pais a terceirizarem a educação dos seus filhos, mas a escola, babás, avós e tias não são responsáveis por educá-los. Eles são o complemento, porém a base necessária na arte de educar, sempre caberá aos pais.

“Juliana passou a dar mais valor aos momentos que ouvia seus filhos a chamarem, ainda que muitas vezes fossem sem qualquer motivo.”

Carla Piassa possui uma escrita fluida, real, regada de experiência e embasada no terno olhar da maternidade.

Eu gostei dos personagens criados, pois mostra a correria da cidade grande, um casal de classe média e a busca pela qualidade na educação dos filhos. Foi incrível acompanhar a luta diária do casal, o amadurecimento deles e o encontro do ponto central na jornada de educar.⁣

Por fim, devido a correria do dia-a-dia, muitos pais não conseguem otimizar o tempo para educar os filhos, porém eu creio que o importante não é a quantidade de tempo ofertado a eles e sim a qualidade desse momento. O amor não é medido por horas!



17 fevereiro 2023

[INDICAÇÃO] As aventuras de Pinóquio | Carlo Collodi | @editorafarooficial | Tradução e adaptação: Monteiro Lobato | Páginas: 96 | Ano: 2022



Boa noite, leitores! A minha indicação para hoje é a obra “As aventuras de Pinóquio” do escritor Carlo Collodi. Quem nunca leu ou assistiu alguma adaptação desse “menininho/boneco mentiroso”?

@clubeliterarioferavellar realizou a leitura coletiva da obra e ficamos apaixonados por essa adaptação revista/atualizada de Monteiro Lobato.

Sinopse:

Quando Gepeto, um velho artesão, é presenteado com um pedaço de madeira falante, ele decide esculpir um boneco. Primeiro a cabeça, com os detalhes do rosto e os olhos; então, deu-lhe o nome de Pinóquio. Quando fez as pernas, o menino de madeira saiu correndo, e o pobre carpinteiro conheceu as alegrias e dores de ter uma criança travessa em casa. Assim começa a história escrita por Carlo Collodi há mais de 100 anos. Pinóquio pouco sabe sobre o mundo onde nasceu, e isso o coloca em diversas confusões e em encontros com pessoas que tentam enganá-lo a todo momento. Mas, nessa jornada de descobertas, o boneco também conquista grandes amizades como o grilo falante e a fada azul, que não medem esforços para salvá-lo dos perigos. Nesta adaptação de Monteiro Lobato para jovens leitores, trazemos um dos contos mais populares da literatura universal e que aborda temas da infância, do crescimento, do valor da verdade e do amor aos pais. Esta edição de PINÓQUIO faz parte da maior ambição de Monteiro Lobato: adaptar obras da literatura universal para jovens leitores. Em cartas destinadas a amigos, ele confidenciava a vontade de traduzir clássicos da literatura internacional com expressões mais simples, diretas e acessíveis para o público infantil, atualizando até mesmo a moral se preciso fosse para ajudar as crianças a ler melhor, além de incentivar o hábito de leitura. A preocupação em criar uma literatura leve foi decisiva para o fortalecimento do mercado editorial naquela época, quando os grandes clássicos apenas começavam a ser traduzidos para o português, mas não eram compreensíveis pela maioria do público.

Um grande clássico da literatura que conquista o público infantojuvenil e adulto.