09 julho 2019

[Resenha] | Sangue Frio (Detetive Erika Foster #5) | Robert Bryndza | Editora Gutenberg



Em “Sangue Frio” uma mala contendo o corpo desmembrado de um homem aparece às margens do rio Tâmisa e Detetive Erika Foster fica chocada, porém duas semanas antes, o corpo de uma jovem foi encontrado em um mala idêntica àquela. Com as investigações seguindo a todo vapor, Erika e sua equipe, percebem que estão no rastro de um serial killer. O número de corpos aumenta e o caso se torna mais grave com o sequestro das filhas gêmeas do Comandante Marsh, colega de Erika. Uma caçada eletrizante que irá percorrer suas veias antes que o seu sangue congele!

Robert Bryndza novamente nos encanta com a sua obra, pois é um thriller psicológico muito bem escrito, cercado de mistério, investigação policial e história dos personagens como pano de fundo.

“O trabalho era um vício, algo sem o qual não conseguia viver, mas havia uma vozinha no fundo da cabeça questionando o que faria dali a dez anos, quando começassem a pressioná-la para se aposentar”.

Bryndza cita acontecimentos narrados nas outras obras, mas que não atrapalha a leitura de quem não leu os volumes anteriores. Os capítulos são intercalados com a história do suspeito, seus planos e crimes e do outro lado com o trabalho de investigação de Erika Foster e sua equipe. Também temos os capítulos de ordem mais pessoal referentes a vida de alguns personagens, como da própria Detetive, que se dá conta que o tempo está passando e ela se encontra sozinha.

O escritor trouxe para a obra temas como relações abusivas, possessão, dependência afetiva, dependência química, tráfico de drogas e conflitos internos que dão uma singularidade na narrativa, pois se torna impossível deixar o livro antes de finalizar a leitura.

“Sangue Frio” é o quinto volume da série e em minha opinião o melhor até o presente momento. Achei que Robert trouxe para a narrativa um ar de sensualidade, mostrou o que acarreta a má influência e o poder destrutivo de algumas pessoas na vida do outro.

Adoro histórias com mulheres empoderadas e sendo Detetive como Erika Foster, se torna ímpar. A obra é uma das melhores séries de suspense da atualidade e já estou ansiosa para o sexto volume. Vocês já leram? O que acham de histórias com mulheres sendo o elo principal?




[Resenha] | Summer Love| Guilherme Tironi | Editora Sinna



A obra “Summer Love” aborda a história do jovem Zach que após mudar de escola teve sua vida transformada de uma forma crescente de notícias bombásticas e uma montanha russa de sentimentos. Ele conhece o amor e a amizade da forma mais pura e real dos sentimentos. Hasley e Joe mostram para Zach que mesmo que algo tenha fim, esse algo pode ser infinito. As melhores coisas da vida são como chuvas de verão: chegam de repente, avassaladoras e intensas, deixando rastros inesquecíveis e marcantes.

“A vida é uma grande bomba-relógio e, enquanto você souber cortar os laços certos, não será dolorosamente destruído por si mesmo. Seria hilário, se não fosse trágico; fazer piada sobre sua condição enquanto espera alta em uma cama de hospital me parecia uma boa maneira de passar o tempo”.

Tironi consegue com maestria arrebatar o coração do leitor com uma narrativa forte, poética, dolorosamente emocionante e com personagens especiais. Alguns temas são abordados no livro, como: amizade, amor, LGBTQ+, doença, relações familiares, saudade, medo, suicídio, morte, dúvidas, presente, futuro e a certeza de vivermos o hoje. Devemos curtir, amar, sentir, viver intensamente o hoje, pois o amanhã poderá não existir ou não ser da forma sonhada. Viva mais e mais!

“Mamãe sabe que eu vou morrer, mas é mais fácil acreditar em uma mentira que agrade seus ouvidos do que encarar a realidade”.

A playlist selecionada pelo escritor é maravilhosa, assim, como os textos, cartas e poemas do livro. Todos com uma alta carga emocional que fará que o mais gelado dos corações se derreta com o tamanho dos sentimentos expostos na obra.

Guilherme consegue mesmo diante do drama, tirar boas risadas do leitor. É bem gostoso ver as descobertas interiores de Zach e atualmente no mundo em que as pessoas são egocêntricas e esqueceram-se dos valores, ver o resgate na obra do verdadeiro conceito de família, amor e amizade é fenomenal.

Por fim, “Summer Love” aqueceu meu coração e o destruiu ao mesmo tempo, pois o final foi emocionalmente devastador. Não sou de ter os olhos marejados ao ler e confesso que umas lágrimas rolaram pela face. A lição que tiro com a obra é contemplar as estrelas, a lua, o sol, um sorriso, a neve, um abraço, um simples olhar e ser a nossa própria estação. Caro leitor, não se esqueça de viver o hoje e falar eu te amo para quem de fato você ama! Alcance o universo!





08 julho 2019

[Resenha] | Colega de quarto| Victor Bonini | Faro Editorial



A obra “Colega de quarto” nos apresenta Eric Schatz, universitário, solteiro, alto padrão de vida e que percebe que o seu apartamento está sendo frequentado não só por ele. Algumas coisas estranhas começam a aparecer pelo apartamento, luzes que se apagam de forma misteriosa, descarga que é acionada sozinha e vultos rondam os cômodos. O jovem desesperado resolve procurar ajuda de um detetive particular, mas em menos de 24 horas despensa misteriosamente da janela do seu apartamento.

Bonini estreia com um livro de tirar o fôlego e arrepiar os cabelos do braço, pois é um suspense psicológico que nos leva a traçar pistas, enumerar suspeitos e com revelações arquitetadas incríveis.

Eu fiz o caminho reverso com as obras do Bonini e ao ler por último “Colega de quarto” pude constatar a mega evolução da escrita dele, porém é inegável a construção singular do texto, dos personagens e ambientação. Já era fã do detetive Conrado Bardelli e lendo só desejo ler mais histórias com ele. Não demora Bonini, pois preciso caminhar junto ao detetive rumo aos crimes!

“– Eu já vi muitos homens serem presos. Muitos, mesmo. E de todo tipo: jovens, velhos, brancos, negros, culpados e inocentes. E vou te dizer que nenhum deles... – Lyra enfatizou com os braços. – ... aceitou as algemas sem sequer xingar o destino. Sem tentar uma justificativa. Sem um ‘puta que o pariu’.”

A obra é divida em três partes, sendo parte I (Loucura), parte II (Turvo) e parte III (Lucidez), todos com capítulos rápidos. Os personagens são caricatos, alguns sádicos, gananciosos e bem expressivos. Um misto de gente para confundir a cabeça do leitor, porém desde o princípio acertei o que estava por trás de tanto mistério ou quem.

O escritor vai ligando todas as pontas soltas durante a leitura dos capítulos e em alguns momentos a história tomava um rumo sobrenatural. Confesso que por alguns minutinhos eu quis enforcar o autor, pois estava lendo às quatro horas da manhã, sozinha e quando estava em uma determinada parte a luz acabou, comecei a ouvir passos e só faltou vultos para completar o circo de horrores. Ainda bem que não sou medrosa e logo voltei ao meu estado normal.

Por fim, adoro o detetive Bardelli com sua inteligência e ousadia ímpar. Indico a obra para todos os amantes de romance policial com um suspense psicológico lacrador. Você acha que nessa história urbana há alguém inocente? Façam suas apostas!




[Resenha] | Do que estamos falando quando falamos de estupro| Sohaila Abdulali | Vestígio



Em “Do que estamos falando quando falamos de estupro” aborda a história de Sohaila Abdulali que sobreviveu a um estupro coletivo quando tinha 17 anos e perante sua indignação resolveu escrever uma coluna sobre a percepção acerca do estupro e de suas vítimas para uma revista feminina. Após trinta anos, seu artigo voltou com força total e viralizou. Ela escreve outro artigo para o New York Times sobre o processo de cura de um abuso sexual.

Sohaila Abdulali nasceu em Bombaim, na Índia e as regras do país para casos de estupro são quase que nulas para as vítimas, pois a grande maioria não tem voz e a polícia ainda julga as mulheres estupradas. E ela foi estuprada nos Estados Unidos logo após mudar com a família. O estupro foi brutal, porém ela é uma mulher forte e transformou a sua dor em um grito de não aceitar a violência como algo normal, é preciso falar.

Abdulali nos conta como ela foi estuprada, os relatos das vítimas de estupro, fala sobre a cultura do estupro e os rótulos impregnados por uma sociedade preconceituosa.

“O estupro drena a luz. Quero que volte a entrar alguma luz. Não tenho respostas, mas espero iluminar pelo menos um pouco algumas questões e suposições que carregamos conosco. Precisamos falar sobre estupro, e precisamos examinar de que maneira estamos falando sobre estupro”.

O tema abordado na obra é cruel, duro, forte, impactante, porém real. Infelizmente, em pleno século XXI muitos julgam as mulheres estupradas com o rótulo carimbado na testa: CULPADA! O nosso corpo é algo inviolável e ninguém tem a autoridade de tocar qualquer que seja a parte sem o consentimento. Não importa se é o marido, namorado, chefe, autoridade religiosa, irmão, tio ou pai. Também não importa se uma jovem estava na balada, com roupas curtas ou se é prostituta. O outro precisa entender quando a outra parte diz NÃO. O mesmo vale para o sexo oposto, pois muitos homens têm sofrido abusos sexuais. Chega de acharmos que é normal a cultura do estupro.

A escritora nos dá uma lição de sabedoria, superação, força e cura com o livro, pois ela possui um olhar generoso e sem julgamentos para com as vítimas. Fiquei revoltada ao ler sobre os casos de estupro no Kuwait devido ao fato da vítima ter que se casar com o estuprador para ele não ser penalizado. Eu cheguei a pensar que era ficção e fiquei boquiaberta quando descobri que é um fato. Um livro para ser lido por homens e mulheres, pois o que você acha que estamos falando quando falamos de estupro?