
O livro “Raízes” da Clarice Flores publicado pela editora Illuminare é um compilado de poesias e prosas onde a autora nos cerca de palavras sobre os mais diversos assuntos.
Como amor, solidão, pandemia, incertezas, as dores das mulheres, e as complicações da vida.
Foi meu primeiro contato com a escrita da autora e eu adorei conhecê-la, pois Flores consegue nos prender em seus poemas e prosas, que nos envolve em sua rede de palavras.
"É como um dejá vu, eu já passei por isso
Agora de maneira ligeira, volto a sentir."
RAÍZES é sobre a vida e como ela só espera de nós, ser vivida da melhor forma possível.
Ao ler esse livro você precisa estar preparado para dar um mergulho dentro de si mesmo, e se reencontrar com suas raízes. É uma imensidão de sentimentos e com uma chuva de palavras certeiras.
“Nem toda lucidez me convencerá de que é no âmago onde todas as coisas se escondem. Eu vejo alvoroço por todo canto.”
A autora coloca também em ênfase seus devaneios sobre a escrita, de como nunca estamos 100% satisfeitos com nossas próprias histórias. Eu como autora também, posso afirmar que isso é a mais pura realidade. E mesmo sem estar completamente satisfeitos, estamos sempre escrevendo, pois é o que alimenta a nossa alma.
"Às três da tarde eu também sou a mulher mais exigente do mundo. Eu me submeto a todo o meu malabarismo mental e ao anoitecer eu acabo por ser somente eu.”
Vocês gostam de poemas/prosas? Aguardo os comentários!

A Graphic Novel “Dias de areia” é uma obra de ficção com o contexto e eventos ligados ao Dust Bowl e à Grande Depressão baseados em fatos reais, porém os personagens são fictícios. John Clark é um fotojornalista contratado por uma agência governamental e tem a grande missão de testemunhar através de fotografias, a real situação dos agricultores do Dust Bowl. Uma grande seca e tempestades de areia levaram os habitantes a miséria. O tempo mostrará para Clark que o clima hostil é o menor dos problemas. Curiosos?
Aimée de Jongh é uma exímia escritora e quadrinista, pois seus traços são precisos, emocionantes, com cores quentes em evidência, paisagens marcantes e realistas. Por várias vezes me senti dentro de uma grande nuvem de poeira!
“—Você já viu os turbilhões de poeira, né? Às vezes, as pessoas enxergam neles o rosto daqueles que perderam. E nós, a cada nova tempestade…vemos nossas filhas.”
O jovem John Clarke é um personagem que me marcou bastante. Ao embarcar para Dust Bowl, para trabalhar sob o comando da Administração de Segurança Agrícola, que fica nos Estados Unidos, ele vivencia experiências únicas, dramáticas, reflexivas e repletas de ensinamentos. Clark consegue fotografar não só a miséria e sim a alma das pessoas e do lugar. Tive uma enorme vontade de abraçá-lo!
“Eu contaria como a alma humana se erode pouco a pouco depois de dias de areia. Nada disso pode ser captado por uma câmera.”
Eu já conhecia a história da Grande Depressão americana, porém ler com ilustrações me deixou chocada. Triste acompanhar cidades sumindo, moradores sendo dizimados e a vida sendo sugada por tempestade de areia.
“Eu sabia que aquelas fotos não tinham prestado. Tinha poeira demais, é muito pouca luz. Mas na próxima vez eu saberia como lidar com aquilo.”
Por fim, super indico essa GN histórica, com ilustrações e fotografias que marcam o coração do leitor. Por incrível que possa ser, as pessoas que estão em situação de pobreza extrema, ajudam o outro, pegam na mão e compartilham o melhor do ser humano. Muitos deveriam entender o conceito de humanidade!

Surpreendente! É assim que começo a minha resenha da obra “E-topia”. Eu já havia lido vários livros de ficção científica, porém nenhum foi tão brilhante quanto esse!
O escritor Rodrigo Baggio construiu um universo tecnológico ímpar, pois cada abordagem foi especial, instrutiva, transformadora e que desperta vários sentimentos em relação ao leitor. É impressionante a capacidade que Baggio tem de inovar com uma inteligência emocional absurda. Um orgulho da nossa Literatura Nacional!
“Uma vez, seu pai havia lhe explicado a diferença entre ouvir e escutar. Ouvir era apenas usar o sentido da audição, algo natural e fisiológico. Escutar, por sua vez, pressupunha prestar atenção e absorver o que se ouvia.”
A obra nos apresenta Maria que desde pequena tinha um talento nato para a tecnologia/programação. Ela percebeu cedo o poder que as ferramentas tecnológicas traria para as suas mãos e para o mundo. Depois de um certo acontecimento, a moça vai embora do Rio de Janeiro para Universidade Stanford, na Califórnia, em uma rotina de hackathons e metaversos. Porém, Maria descobre que aquele mundo não é tão bom quanto ela pensava. Estão preparados para o empoderamento digital? Leiam!
O que falar da personagem principal? Maria é um ser sensacional, preta, periférica, iluminada, inteligente, estudiosa e muito apaixonante.
“Às vezes uma pessoa não precisa mudar o mundo, e sim ser a que começa a mudança."
O livro aborda o racismo, xenofobia, inteligência artificial, família, amizade, religião, Metaverso, comunidades e cultura. Todos os assuntos tratados com leveza e muita propriedade pelo autor.
A leitura pode se tornar ainda mais completa com as ilustrações que estão por toda a obra e também com a experiência extrassensorial com o uso do App E-topia, disponível para Android e IOS. Basta escanear as imagens e a mágica acontece. As referências musicais citadas são bem ecléticas. Não é incrível?
A @lcagcomunicacao organizou essa Leitura Coletiva e foi um sucesso!
Por fim, super indico a obra e que a E-topia de Maria seja a nossa verdade!

O livro "A Mensageira do Apocalipse" do autor Alex Dumont reúne dois grandes contos. O primeiro é homônimo do título e o segundo de nome "A Alma de Giulia".
"Em praticamente todas as civilizações, a escravidão foi a principal ferramenta utilizada para o crescimento e o enriquecimento, enquanto a guerra foi o único instrumento utilizado para a expansão e a dominação."
No primeiro conto vamos acompanhar uma situação inusitada, já que no mesmo dia e em várias cidades diferentes, quase 1 milhão de pessoas cometeram suicídio, sobrando apenas uma pessoa. Sendo assim, considerada a responsável por guiar os outros a comentarem tal ato, jovem foi enviada ao Hospital Psiquiátrico Ricci Giuglini, pois ela contava sempre a mesma história, que o Criador foi responsável por levar as almas boas para o "paraíso" e livrando-as do Apocalipse. Toda a história da moça não foi comprada, mas o que ninguém esperava era que tudo que ela contou viria a se tornar real.
"— A verdadeira vida não se encontra no corpo, mas na alma. O Criador arrebatou todas essas almas para salvá-las de um apocalipse próximo."
No segundo conto acompanhamos uma médica recém-formada que foi chamada para realizar sua residência no Hospital Psiquiátrico Ricci Giuglini. Lá ela acaba por presenciar um grande mistério que faz o leitor se envolver demais na história. A médica descobre que antes de falecer, um dos pacientes escreveu um livro onde desvendou várias questões relacionadas a alma, mas esse livro pode ter sido o responsável por quatro mortes. Então é nesse suspense que somos inseridos.
"Em menos de duas horas, eu já havia devorado todas as letras daquele pequeno volume, e estava fascinada com as ideias nele contidas. Eram ideias capazes de revolucionar inteiramente o entendimento humano sobre o maior dos seus mistérios: a alma."
Os contos levam o leitor refletir muito sobre as questões de espiritualidade e ciência. Por mais que o autor deixe claro que tudo não passa de uma ficção, os debates propostos são interessantes.
O que acharam da obra?