ENTREVISTA
ROBERTO MINADEO
1- Fale-nos um pouco sobre você.
Atuo como professor e pesquisador, desde que pude. Lembro de ter alunos
de aulas particulares já aos onze anos de idade. Sempre fui muito curioso, e
gosto muito de ler - coisas ligadas às minhas áreas de pesquisa, e,
especialmente, literatura. Pesquiso nos temas ligados à minha formação: gestão,
marketing, comunicação, Governança Corporativa e Políticas Públicas.
Também sou Analista em Ciência e
Tecnologia do CNPq. Ingressei por concurso. É incrível como essa atividade
combina com minhas demais aspirações.
2-
De onde surgiu a inspiração para escrever?
Antes de entrar na escola, meu pai me presenteou com a coleção infantil
dos 17 livros de Monteiro Lobato. Li tudo antes ainda de ser aluno. Meu
primeiro sonho de criança mais sério ligado ao futuro: vou ser escritor. Essa
foi a inspiração ligada ao Sonho de escrever. Para começar um projeto literário
que se tornou um livro tive uma inspiração baseada no desejo de verter por
escrito alguns Sonhos que estavam se acumulando. Tive certo receio de perdê-los
se não os escrevesse e compartilhasse com o público.
Uma experiência com livros técnicos foi importante. Em 1996 lancei meu
primeiro livro, "Mil Perguntas Marketing", que esgotou e mereceu nova
edição, atualizada, em 2005. Outras obras vieram, trazendo experiência e
proximidade ao mercado editorial.
3- Tem algum gênero preferido para leitura que possa nos
contar?
Gosto de literatura contemporânea. Os
clássicos precisam encontrar um espaço na vida de cada um: Cervantes, Dante,
Dostoiévski, Tolstoi, Vitor Hugo, Camões - para citar alguns. Lembro de ter
assistido ao DVD comemorativo de "Os Miseráveis" - o que me fez encarar
o desafio de ler essa obra. Aprendi muito. Também há momentos para descansar,
por exemplo, com o gênero policial.
4- Quais
os livros que lhe fizeram tomar gosto pela leitura, e os autores que lhe
influenciam até hoje?
De certa forma, já respondi acima:
Monteiro Lobato me influenciou antes de entrar na escola. Os clássicos foram
importante ponto de apoio ao longo da trajetória de leitura que pude seguir.
Livros mais tranquilos sustentaram a maior parte desse percurso, mostrando
coisas ricas, pelo enredo, por exemplo.
5-
Quais são os seus projetos literários para 2019?
Com certeza preciso me dedicar à tarefa de divulgar meu recém lançado
livro "Sonhos Fulgurantes". Mantenho sempre ligada a atividade da
leitura - o que, para mim, é um projeto literário permanente.
6- O
mercado literário está em crise. Gostaria de saber com toda a sua experiência o
que pode ser feito para melhorar esse cenário atual?
A crise é relativa: com a abundância de
textos na Internet, tenho a certeza mais absoluta de que nunca se leu tanto.
Aquela bobagem: "no meu tempo é que se lia mais..." é isso mesmo,
pura bobagem! Basta ver a quantidade de msgs trocadas (obras escritas, ainda
que em outro formato), blogs, sites, etc.
Sim, talvez o formato do livro impresso
esteja enfrentando dificuldades. Porém, continuo confiante.
A crise mais grave está no formato das
grandes livrarias - o que não significa que o problema seja o livro. Ou seja,
as vendas dessas lojas não conseguem gerar margem de rentabilidade que cubra os
imensos custos da estrutura: aluguéis em pontos de destaque, pessoal, luz etc.
Ou ainda, o fenômeno de livros encomendadas pela Internet e entregues
diretamente na residência apresenta custos muito menores; o que fez cair o
preço dos livros físicos.
7- O
que os Sonhos
Fulgurantes significam para você?
Em primeiro lugar, para que fosse meu
primeiro projeto em literatura, decidi pelo formato Conto. É muito difícil. Não
podem existir coisas de algum conto que se assemelhem às dos demais - o que
exige uma laboriosa harmonia. Os personagens precisam ser bem trabalhados. Cada
conto é uma estória completa e independente. Não há espaço para enrolar: um
conto leva a sua mensagem e ponto final; não é um romance nem uma novela.
Além disso, "Sonhos
Fulgurantes" é algo muito especial. Os primeiros estavam guardados em
minha memória, de sorte que praticamente bastou escrevê-los. São Sonhos no
sentido de que há situações diversas que se resolvem mediante a introdução de
elementos oníricos.
Finalmente, são fantasias, escritas com
o intuito de que cada leitor nelas se situe.
8-
Por que é tão difícil ser escritor no Brasil? Cite os pontos negativos e
positivos.
É uma pena que haja tantos brasileiros
que não possuem o hábito da leitura. Chega a doer: um pouco de esforço levaria
qualquer um a sair dessa pasmaceira. Afinal, há muitas pessoas tendo
vencimentos incríveis em outros campos - no esporte, por exemplo.
Esse quadro implica em um ponto
negativo: o mercado é restrito, e o ingresso é especialmente difícil, pois
sempre se é um ilustre desconhecido.
O ponto positivo é que o novo autor
sabe estar contra tudo e contra todos. Deste modo, eventuais dificuldades
iniciais fazem parte do quadro mais amplo de suas expectativas.
9-
Qual o papel dos blogueiros literários para o trabalho de um escritor?
Comunicar é tudo. Lecionei Marketing
por bastante tempo. Meus primeiros livros foram técnicos e focados nessa
disciplina. Desse modo, não tenho como agradecer o trabalho que esses blogs
realizam.
10-
Deixe um recado para os leitores da Editora Illuminare.
Conto com todos, pois os "Sonhos
Fulgurantes" são pessoais. Nunca é demais investir na leitura. Já é uma
unanimidade que a TV aberta não agrega. Os jornais televisivos possuem seus
vieses. Não vale a pena perder tempo nisso. Desse modo, a leitura é o mais
saudável entretenimento.
Gostaria participar de eventos mediante
Skype com alguns leitores que tenham se identificado com algum personagem dos
Sonhos. Dessa forma, haveria espaço para eu aprender da leitura que foi feita
de meus Sonhos. Por outro lado, cada leitor encontraria vetores para aferir
como andaram lendo e como foram suas leituras.
Eventos mais amplos ligados à leitura
em geral seriam também uma ótima iniciativa.
Obrigada pela entrevista Dr. Roberto Minadeo!